No início fica claro que Ove não entende de tecnologia e não sabe a diferença entre tablet, laptop e desktop. Mas, sejamos realistas, o vendedor também não ajuda em nada. É visível a falta de paciência diante de um cliente idoso e sem conhecimento. Custava mostrar as diferenças para Ove? Se ele pudesse ver na prática, provavelmente entenderia e deixaria de fazer tantas perguntas.
Ove é um homem extremamente pragmático. Ele segue uma ordem, e isso é essencial para sua vida no dia a dia. Com a aposentadoria, ele se vê sem ter o que fazer e passa a prestar ainda mais atenção ao lugar onde mora, implicando cada vez mais com o comportamento dos vizinhos.
Os apelidos que ele dá para cada um mostram o quanto ele não se sente à vontade com “pessoas novas” morando ali. Ele não consegue se adaptar à nova realidade, em que as pessoas e o mundo mudam constantemente. Resumindo, Ove é um homem antiquado que não faz a menor questão de se adaptar ou de ser gentil com os outros.
Confesso que os apelidos que ele dá às pessoas me irritam. Mesmo que você não queira saber o nome delas, “magricelo”, “almofadinhas” e “loira bocó” não são a melhor forma de se referir a quem você não conhece. Com esse comportamento, ele praticamente abre espaço para ser visto como um velho ranzinza.
Mas agora faz mais sentido o motivo de Ove ser assim: ele ficou viúvo e não tem mais com quem conversar, então acaba descontando suas frustrações nas pessoas ao redor.
O pragmatismo dele também é explicado pela forma como foi criado. Seu pai era assim, e Ove se espelhou nele, por considerá-lo um homem justo e respeitável. Mas, na realidade, tudo o que Ove está fazendo é cuidar da sua comunidade.